Nasce uma nova cartografia dos territórios sagrados de Fortaleza
- Eduardo de Sousa Abreu
- 29 de jul.
- 2 min de leitura
Fortaleza recebe, a partir de hoje, uma iniciativa dedicada à valorização, documentação e reconhecimento dos Povos de Terreiro. É lançado oficialmente o projeto Pés na Terra, Olhos no Céu: Cartografia dos Territórios Sagrados, uma pesquisa cultural que percorrerá os territórios tradicionais da cidade para registrar histórias, memórias, saberes e modos de vida que compõem um dos mais importantes patrimônios culturais afro-brasileiros.

Idealizado pelo Bàbálórìṣà Dudu de Logun Edé, pesquisador da cultura tradicional iorubá e dos povos de terreiro há mais de seis anos, o projeto nasce do compromisso com a preservação das tradições de matriz africana e com a construção de uma cartografia que respeita a espiritualidade, a ancestralidade e a autonomia das comunidades participantes.
Mais do que localizar terreiros em um mapa, a proposta é revelar as múltiplas dimensões que fazem desses espaços verdadeiros territórios de memória, acolhimento, produção de conhecimento, resistência e fortalecimento comunitário. Cada visita, cada entrevista e cada registro fotográfico ou audiovisual contribuirá para compor uma narrativa construída a partir da escuta e do diálogo com as próprias comunidades.
Durante os próximos meses, a equipe do projeto realizará pesquisas documentais, visitas de campo, entrevistas com lideranças religiosas e registros audiovisuais que resultarão na produção de uma cartografia digital, mini documentários, fotografias, oficinas artístico-culturais e conteúdos educativos disponibilizados gratuitamente neste portal.
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O projeto fundamenta-se em metodologias das Ciências Humanas, da antropologia, dos estudos decoloniais e da história das religiões de matriz africana, compreendendo o mapeamento como um processo participativo em que os próprios povos de terreiro ocupam o lugar de protagonistas na construção de suas narrativas e na preservação de seus patrimônios culturais.
Ao longo desta caminhada, o site será atualizado com relatos de campo, registros fotográficos, vídeos, entrevistas, artigos e demais conteúdos produzidos durante a pesquisa. Cada nova publicação representará mais um passo na construção desta cartografia viva, feita por pessoas, territórios, memórias e ancestrais.
Convidamos toda a sociedade a acompanhar este percurso, conhecer os territórios sagrados presentes em Fortaleza e reconhecer a contribuição histórica, cultural e social dos Povos de Terreiro para a formação da identidade da cidade.
Porque mapear é mais do que registrar lugares. É reconhecer histórias. É preservar memórias. É abrir caminhos para que os saberes ancestrais continuem iluminando o presente e inspirando o futuro.



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