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Entre Pés e Céu: o Percurso da Pesquisa

Esta seção reúne os relatos, registros e reflexões produzidos ao longo do projeto Pés na Terra, Olhos no Céu: Cartografia dos Territórios Sagrados. Aqui estão documentados os caminhos percorridos pela equipe de pesquisa em diálogo com os Povos de Terreiro de Fortaleza, revelando processos, encontros, escutas e atravessamentos que compõem o mapeamento cultural.

Estes textos compartilham o percurso vivo da pesquisa, respeitando o tempo, a espiritualidade e a territorialidade das comunidades envolvidas. Cada registro reflete uma etapa do trabalho de campo e do pensamento construído coletivamente, afirmando os terreiros como espaços de memória, resistência, cuidado e produção de saberes ancestrais.

Entre Pés e Céu: o Percurso da Pesquisa é, portanto, um território narrativo onde o mapeamento se revela como prática ética, política e sensível, construída com os pés firmes na terra e o olhar atento ao céu que orienta os caminhos.

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Quando o Caminho se Revela

O projeto Pés na Terra, Olhos no Céu: Cartografia dos Territórios Sagrados se constrói como um percurso contínuo de escuta, deslocamento e encontro com os Povos de Terreiro da cidade de Fortaleza. Cada etapa da pesquisa compõe um fragmento dessa cartografia viva, onde território, memória, espiritualidade e resistência se entrelaçam.

A reunião de pré-produção marcou o início formal desse caminhar, reunindo a equipe de pesquisa para alinhar diretrizes metodológicas, éticas e logísticas que orientariam o mapeamento dos Povos de Terreiro da Regional VI. Mais do que uma etapa técnica, esse encontro foi um momento de construção coletiva dos princípios que sustentam todo o processo de pesquisa.

Participaram desse momento os pesquisadores e sacerdotes Pai Márcio de Yemanjá e o Bàbálórìṣà Dudu de Logun Edé, ambos com trajetória reconhecida na preservação e valorização das culturas de matriz africana, além da pesquisadora e cientista social Elisa Alencar. Integra também a equipe a fotógrafa Kamila Andrade, responsável por acompanhar as atividades de campo e produzir os registros visuais que documentam não apenas os espaços, mas os gestos, encontros e afetos que atravessam o percurso do projeto.

Nessa etapa inicial foram definidos os primeiros trajetos do mapeamento na Regional VI, o número de visitas aos terreiros, as estratégias de aproximação com as comunidades e os princípios éticos que orientam cada ação de campo. A pesquisa se desenvolve a partir de metodologias qualitativas e quantitativas, incluindo entrevistas, rodas de conversa, observação direta e levantamento de dados territoriais e sociais, como o Índice de Desenvolvimento Humano dos bairros visitados. Esses dados não são tratados de forma isolada, mas relacionados às experiências vividas e às dinâmicas sociais que atravessam os territórios.

Durante as discussões, destacou-se a reflexão trazida por Pai Márcio de Yemanjá sobre a importância de reconhecer o Terreiro como Quilombo. Essa compreensão amplia o entendimento dos terreiros para além de sua dimensão religiosa, afirmando-os como espaços de resistência, liberdade, acolhimento e proteção espiritual, emocional, física e material. Ao longo da história, os quilombos se constituíram como territórios de organização coletiva e enfrentamento à escravidão. De forma semelhante, os terreiros, mesmo após o fim formal do regime escravista, continuaram sendo alvo de repressões, racismo religioso e violência institucional, mantendo-se, ainda assim, como espaços de preservação cultural, cuidado comunitário e continuidade ancestral.

O percurso da pesquisa dialoga com vertentes do pensamento afro-brasileiro contemporâneo, com os Estudos Decoloniais, com a metodologia da pesquisa antropológica, com a história das religiões de matriz africana e com as epistemologias construídas pelos Movimentos Negros. Essa base teórica e política sustenta um mapeamento que não busca apenas localizar terreiros no espaço urbano, mas compreender seus sentidos, vínculos territoriais e modos próprios de existir e resistir.

Ao longo do projeto, cada relatório, registro e encontro passa a compor essa cartografia em movimento, reafirmando o compromisso com a valorização dos saberes ancestrais, com o respeito à espiritualidade e com a diversidade dos povos de terreiro. Trata-se de um mapeamento que se constrói no tempo, no corpo e na escuta, reconhecendo cada território como um espaço sagrado de memória, luta e permanência.

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